Tema: Clonagem
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Clonagem e células-tronco
Mayana Zatz
RESUMO
APESAR
do muito que se tem discutido, ainda existe muita confusão em relação
aos conceitos de clonagem (reprodutiva e terapêutica) , células-tronco (
embrionárias e não embrionárias) e terapia celular bem como isso pode
afetar as nossas vidas. Portanto a proposta desse artigo é o de tentar
definir esses conceitos e expressar a minha posição sobre aspectos
éticos não só como cientista mas também como representante de inúmeras
famílias que vêem nessa nova tecnologia uma esperança futura de cura
para inúmeras doenças neurodegenerativas , muitas vezes letais ou
gravemente incapacitantes.
ABSTRACT
ALTHOUGH
concepts such as human cloning (reproductive and therapeutic), stem
cells (embryonic and non-embryonic) , and stem cell therapy and how
these issues may affect our lives have been extensively discussed, there
is still a lot of misunders-tanding. Therefore the aim of this article
is to try to better explain these definitions and express my personal
opinion on ethical aspects not only as a scientist but also as a
representative of inumerous families who hope that this technology might
represent in the future a treatment for many neurodegenerative
disorders often lethal or severely disabling.
O que é clonagem?
A
CLONAGEM É UM mecanismo comum de propagação da espécie em plantas ou
bactérias. De acordo com Webber (1903) um clone é definido como uma
população de moléculas, células ou organismos que se originaram de uma
única célula e que são idênticas à célula original e entre elas. Em
humanos, os clones naturais são os gêmeos idênticos que se originam da
divisão de um óvulo fertilizado. A grande revolução da Dolly, que abriu
caminho para possibilidade de clonagem humana, foi a demonstração, pela
primeira vez, de que era possível clonar um mamífero, isto é, produzir
uma cópia geneticamente idêntica, a partir de uma célula somática diferenciada. Para entendermos porque esta experiência foi surpreendente, precisamos recordar um pouco de embriologia.
Todos
nós já fomos uma célula única, resultante da fusão de um óvulo e um
espermatozóide. Esta primeira célula já tem no seu núcleo o DNA com toda
a informação genética para gerar um novo ser. O DNA nas células fica
extremamente condensado e organizado em cromossomos. Com exceção das
nossas células sexuais, o óvulo e o espermatozóide que têm 23
cromossomos, todas as outras células do nosso corpo têm 46 cromossomos.
Em cada célula, temos 22 pares que são iguais nos dois sexos, chamados
autossomos e um par de cromossomos sexuais: XX no sexo feminino e XY no
sexo masculino. Estas células, com 46 cromossomos, são chamadas células
somáticas. Voltemos agora à nossa primeira célula resultante da fusão do
óvulo e do espermatozóide. Logo após a fecundação, ela começa a se
dividir: uma célula em duas, duas em quatro, quatro em oito e assim por
diante. Pelo menos até a fase de oito células, cada uma delas é capaz de
se desenvolver em um ser humano completo. São chamadas de totipotentes.
Na fase de oito a dezesseis células, as células do embrião se
diferenciam em dois grupos: um grupo de células externas que vão
originar a placenta e os anexos embrionários, e uma massa de células
internas que vai originar o embrião propriamente dito. Após 72 horas,
este embrião, agora com cerca de cem células, é chamado de blastocisto. É
nesta fase que ocorre a implantação do embrião na cavidade uterina. As
células internas do blastocisto vão originar as centenas de tecidos que
compõem o corpo humano. São chamadas de células tronco embrionárias pluripotentes.
A partir de um determinado momento, estas células somáticas - que ainda
são todas iguais - começam a diferenciar-se nos vários tecidos que vão
compor o organismo: sangue, fígado, músculos, cérebro, ossos etc. Os
genes que controlam esta diferenciação e o processo pelo qual isto
ocorre ainda são um mistério. O que sabemos é que uma vez diferenciadas,
as células somáticas perdem
a capacidade de originar qualquer tecido. As células descendentes de
uma célula diferenciada vão manter as mesmas características daquela que
as originou, isto é, células de fígado vão originar células de fígado,
células musculares vão originar células musculares e assim por diante.
Apesar de o número de genes e de o DNA ser igual em todas as células do
nosso corpo, os genes nas células somáticas diferenciadas se expressam
de maneiras diferentes em cada tecido, isto é, a expressão gênica é
específica para cada tecido. Com exceção dos genes responsáveis pela
manutenção do metabolismo celular (housekeeping genes)
que se mantêm ativos em todas as células do organismo, só irão
funcionar em cada tecido ou órgão os genes importantes para a manutenção
deste. Os outros se mantêm "silenciados" ou inativos.
O processo de clonagem reprodutiva
A
grande notícia da Dolly foi justamente a descoberta de que uma célula
somática de mamífero, já diferenciada, poderia ser reprogramada ao
estágio inicial e voltar a ser totipotente. Isto foi conseguido através
da transferência do núcleo de uma célula somática da glândula mamária da
ovelha que originou a Dolly para um óvulo enucleado.
Surpreendentemente, este começou a comportar-se como um óvulo
recém-fecundado por um espermatozóide. Isto provavelmente ocorreu porque
o óvulo, quando fecundado, tem mecanismos, para nós ainda
desconhecidos, para reprogramar o DNA de modo a tornar todos os seus
genes novamente ativos, o que ocorre no processo normal de fertilização.
Para
a obtenção de um clone, este óvulo enucleado no qual foi transferido o
núcleo da célula somática foi inserido em um útero de uma outra ovelha.
No caso da clonagem humana reprodutiva, a proposta seria retirar-se o
núcleo de uma célula somática, que teoricamente poderia ser de qualquer
tecido de uma criança ou adulto, inserir este núcleo em um óvulo e
implantá-lo em um útero (que funcionaria como uma barriga de aluguel).
Se este óvulo se desenvolver teremos um novo ser com as mesmas
características físicas da criança ou adulto de quem foi retirada a
célula somática. Seria como um gêmeo idêntico nascido posteriormente.
Já
sabemos que não é um processo fácil. Dolly só nasceu depois de 276
tentativas que fracassaram. Além disso, dentre as 277 células "da mãe de
Dolly" que foram inseridas em um óvulo sem núcleo, 90% não alcançaram
nem o estágio de blastocisto. A tentativa posterior de clonar outros
mamíferos tais como camundongos, porcos, bezerros, um cavalo e um veado
também tem mostrado uma eficiência muito baixa e uma proporção muito
grande de abortos e embriões malformados. Penta, a primeira bezerra
brasileira clonada a partir de uma célula somática morreu adulta, em
2002, com um pouco mais de um mês. Ainda em 2002, foi anunciada a
clonagem do copycat
o primeiro gato de estimação clonado a partir de uma célula somática
adulta. Para isto foram utilizados 188 óvulos que geraram 87 embriões e
apenas um animal vivo. Na realidade, experiências recentes, com
diferentes tipos de animais, têm mostrado que esta reprogramação dos
genes, para o estágio embrionário, o qual originou Dolly, é extremamente
difícil.
O
grupo liderado por Ian Wilmut, o cientista escocês que se tornou famoso
por esta experiência, afirma que praticamente todos os animais que
foram clonados nos últimos anos a partir de células não embrionárias
estão com problemas (Rhind, 2003). Entre os diferentes defeitos
observados nos pouquíssimos animais que nasceram vivos após inúmeras
tentativas, observam-se: placentas anormais, gigantismo em ovelhas e
gado, defeitos cardíacos em porcos, problemas pulmonares em vacas,
ovelhas e porcos, problemas imunológicos, falha na produção de
leucócitos, defeitos musculares em carneiros. De acordo com Hochedlinger
e Jaenisch (2003), os avanços recentes em clonagem reprodutiva permitem
quatro conclusões importantes: 1) a maioria dos clones morre no início
da gestação; 2) os animais clonados têm defeitos e anormalidades
semelhantes, independentemente da célula doadora ou da espécie; 3) essas
anormalidades provavelmente ocorrem por falhas na reprogramação do
genoma; 4) a eficiência da clonagem depende do estágio de diferenciação
da célula doadora. De fato, a clonagem reprodutiva a partir de células
embrionárias tem mostrado uma eficiência de dez a vinte vezes maior,
provavelmente porque os genes que são fundamentais no início da
embriogênese estão ainda ativos no genoma da célula doadora
(Hochedlinger e Jaenisch, 2003).
É
interessante que, dentre todos os mamíferos que já foram clonados, a
eficiência é um pouco maior em bezerros (cerca de 10% a 15%). Por outro
lado, um fato intrigante é que ainda não se tem notícias de macaco ou
cachorro que tenha sido clonado. Talvez seja por isso que a cientista
inglesa Ann McLaren tenha afirmado que as falhas na reprogramação do
núcleo somático possam se constituir em uma barreira intransponível para
a clonagem humana.
Mesmo
assim, pessoas como o médico italiano Antinori ou a seita dos raelianos
defendem a clonagem humana, um procedimento que tem sido proibido em
todos os países. De fato, um documento assinado em 2003 pelas academias
de ciências de 63 países, inclusive o Brasil, pedem o banimento da
clonagem reprodutiva humana. O fato é que a simples possibilidade de
clonar humanos tem suscitado discussões éticas em todos os segmentos da
sociedade, tais como: Por que clonar? Quem deveria ser clonado? Quem
iria decidir? Quem será o pai ou a mãe do clone? O que fazer com os
clones que nascerem defeituosos?
Na
realidade, o maior problema ético atual é o enorme risco biológico
associado à clonagem reprodutiva. No meu entender, seria a mesma coisa
que discutir os prós e os contras em relação à liberação de uma
medicação nova, cujos efeitos são devastadores e ainda totalmente
incontroláveis.
Apesar
de todos estes argumentos contra a clonagem humana reprodutiva,
experiências com animais clonados têm nos ensinado muito acerca do
funcionamento celular. Por outro lado, a tecnologia de transferência de
núcleo para fins terapêuticos, a chamada clonagem terapêutica, poderá ser extremamente útil para obtenção de células-tronco.
A técnica de clonagem terapêutica para obtenção de células-tronco
Se
em vez de inserirmos em um útero o óvulo cujo núcleo foi substituído
por um de uma célula somática deixarmos que ele se divida no laboratório
teremos a possibilidade de usar estas células - que na fase de
blastocisto são pluripotentes - para fabricar diferentes tecidos. Isto
abrirá perspectivas fantásticas para futuros tratamentos, porque hoje só
se consegue cultivar em laboratório células com as mesmas
características do tecido do qual foram retiradas. É importante que as
pessoas entendam que, na clonagem para fins terapêuticos, serão gerados
só tecidos, em laboratório, sem implantação no útero. Não se trata de
clonar um feto até alguns meses dentro do útero para depois lhe retirar
os órgãos como alguns acreditam. Também não há porque chamar esse óvulo de embrião após a transferência de núcleo porque ele nunca terá esse destino.
Uma pesquisa publicada na revista Sciences por
um grupo de cientistas coreanos (Hwang e col., 2004) confirma a
possibilidade de obter-se células-tronco pluripotentes a partir da
técnica de clonagem terapêutica ou transferência de núcleos (TN). O
trabalho foi feito graças a participação de dezesseis mulheres
voluntárias que doaram, ao todo, 242 óvulos e células "cumulus" (células
que ficam ao redor dos óvulos) para contribuir com pesquisas visando à
clonagem terapêutica. As células cumulus,
que já são células diferenciadas, foram transferidas para os óvulos dos
quais haviam sido retirados os próprios núcleos. Dentre esses, 25%
conseguiram se dividir e chegar ao estágio de blastocisto, portanto,
capazes de produzir linhagens de células-tronco pluripotentes.
A
clonagem terapêutica teria a vantagem de evitar rejeição se o doador
fosse a própria pessoa. Seria o caso, por exemplo, de reconstituir a
medula em alguém que se tornou paraplégico após um acidente ou para
substituir o tecido cardíaco em uma pessoa que sofreu um infarto.
Entretanto, esta técnica tem suas limitações. O doador não poderia ser a
própria pessoa quando se tratasse de alguém afetado por doença
genética, pois a mutação patogênica causadora da doença estaria presente
em todas as células. No caso de usar-se linhagens de células-tronco
embrionárias de outra pessoa, ter-se-ia também o problema da
compatibilidade entre o doador e o receptor. Seria o caso, por exemplo,
de alguém afetado por distrofia muscular progressiva, pois haveria
necessidade de se substituir seu tecido muscular. Ele não poderia
utilizar-se de suas próprias células-tronco, mas de um doador compatível
que poderia, eventualmente, ser um parente próximo. Além disso, não
sabemos se, no caso de células obtidas de uma pessoa idosa afetada pelo
mal de Alzheimer, por exemplo, se as células clonadas teriam a mesma
idade do doador ou se seriam células jovens. Uma outra questão em aberto
diz respeito à reprogramação dos genes que poderiam inviabilizar o
processo dependendo do tecido ou do órgão a ser substituído. Em resumo,
por mais que sejamos favoráveis à clonagem terapêutica, trata-se de uma
tecnologia que necessita de muita pesquisa antes de ser aplicada no
tratamento clínico. Por este motivo, a grande esperança, a curto prazo, para terapia celular, vem da utilização de células-tronco de outras fontes
Terapia celular com outras fontes de células-tronco
a) Indivíduos adultos
Existem
células-tronco em vários tecidos (como medula óssea, sangue, fígado) de
crianças e adultos. Entretanto, a quantidade é pequena e não sabemos
ainda em que tecidos são capazes de se diferenciar. Pesquisas recentes
mostraram que células-tronco retiradas da medula de indivíduos com
problemas cardíacos foram capazes de reconstituir o músculo do seu
coração, o que abre perspectivas fantásticas de tratamento para pessoas
com problemas cardíacos. Mas a maior limitação da técnica, do autotransplante
é que ela não serviria para portadores de doenças genéticas. É
importante lembrar que as doenças genéticas afetam 3-4% das crianças que
nascem. Ou seja, mais de cinco milhões de brasileiros para uma
população atual de 170 milhões de pessoas. É verdade que nem todas as
doenças genéticas poderiam ser tratadas com células-tronco, mas se
pensarmos somente nas doenças neuromusculares degenerativas, que afetam
uma em cada mil pessoas, estamos falando de quase duzentas mil pessoas.
b) Cordão umbilical e placenta
Pesquisas
recentes vêm mostrando que o sangue do cordão umbilical e da placenta
são ricos em células-tronco. Entretanto, também não sabemos ainda qual é
o potencial de diferenciação dessas células em diferentes tecidos. Se
as pesquisas com células-tronco de cordão umbilical proporcionarem os
resultados esperados, isto é, se forem realmente capazes de regenerar
tecidos ou órgãos, esta será certamente uma notícia fantástica, porque
não envolveria questões éticas. Teríamos que resolver então o problema
de compatibilidade entre as células-tronco do cordão doador e do
receptor. Para isto será necessário criar, com a maior urgência, bancos
de cordão públicos, à semelhança dos bancos de sangue. Isto porque
sabe-se que, quanto maior o número de amostras de cordão em um banco,
maior a chance de se encontrar um compatível. Experiências recentes já
demonstraram que o sangue do cordão umbilical é o melhor material para
substituir a medula em casos de leucemia. Por isso, a criação de bancos
de cordão é uma prioridade que já se justifica somente para o tratamento
de doenças sangüíneas, mesmo antes de confirmarmos o resultado de
outras pesquisas.
c) Células embrionárias
Se
as células-tronco de cordão tiverem a potencialidade desejada, a
alternativa será o uso de células-tronco embrionárias obtidas de
embriões não utilizados que são descartados em clínicas de fertilização.
Os opositores ao uso de células embrionárias para fins terapêuticos
argumentam que isto poderia gerar um comércio de óvulos ou que haveria
destruição de "embriões humanos" e não é ético destruir uma vida para
salvar outra.
Aspectos éticos
Apesar
de todos esses argumentos, o uso de células-tronco embrionárias para
fins terapêuticos, obtidas tanto pela transferência de núcleo como de
embriões descartados em clínicas de fertilização, é defendido pelas
inúmeras pessoas que poderão se beneficiar por esta técnica e pela
maioria dos cientistas. As 63 academias de ciência do mundo que se
posicionaram contra a clonagem reprodutiva defendem as pesquisas com
células embrionárias para fins terapêuticos. Em relação aos que acham
que a clonagem terapêutica pode abrir caminho para clonagem reprodutiva
devemos lembrar que existe uma diferença intransponível entre os dois
procedimentos: a implantação ou não em um útero humano. Basta proibir a implantação no útero!
Se pensarmos que qualquer célula humana pode ser teoricamente clonada e
gerar um novo ser, poderemos chegar ao exagero de achar que toda vez
que tiramos a cutícula ou arrancamos um fio de cabelo, estamos
destruindo uma vida humana em potencial. Afinal, o núcleo de uma célula
da cutícula poderia ser colocada em um óvulo enucleado, inserido em um
útero e gerar uma nova vida!
Por
outro lado, a cultura de tecidos é uma prática comum em laboratório,
apoiada por todos. A única diferença, no caso, seria o uso de óvulos
(que quando não fecundados são apenas células) que permitiriam a
produção de qualquer tecido no laboratório. Ou seja, em vez de poder
produzir-se apenas um tipo de tecido, já especializado, o uso de óvulos
permitiria fabricar qualquer tipo de tecido. O que há de anti-ético
nisso?
Quanto
ao comércio de óvulos, não seria a mesma coisa que ocorre hoje com
transplante de órgãos? Não é mais fácil doar um óvulo do que um rim?
Cada uma de nós pode se perguntar: você doaria um óvulo para ajudar
alguém? Para salvar uma vida?
Em
relação à destruição de "embriões humanos", novamente devemos lembrar
que estamos falando de cultivar tecidos ou, futuramente, órgãos a partir
de embriões que são normalmente descartados, que nunca serão inseridos
em um útero. Sabemos que 90% dos embriões gerados em clínicas de
fertilização e que são inseridos em um útero, nas melhores condições,
não geram vida. Além disso, um trabalho recente (Mitalipova et al.,
2003) mostrou que células obtidas de embriões de má qualidade, que não
teriam potencial para gerar uma vida, mantêm a capacidade de gerar
linhagens de células-tronco embrionárias e portanto, de gerar tecidos.Em
resumo, é justo deixar morrer uma criança ou um jovem afetado por uma
doença neuromuscular letal para preservar um embrião cujo destino é o
lixo? Um embrião que, mesmo que fosse implantado em um útero, teria um
potencial baixíssimo de gerar um indivíduo? Ao usar células-tronco
embrionárias para regenerar tecidos em uma pessoa condenada por uma
doença letal, não estamos, na realidade, criando vida? Isso não é
comparável ao que se faz hoje em transplante quando se retiram os órgãos
de uma pessoa com morte cerebral (mas que poderia permanecer em vida
vegetativa)
É
extremamente importante que as pessoas entendam a diferença entre
clonagem humana, clonagem terapêutica e terapia celular com
células-tronco embrionárias ou não. A maioria dos países da comunidade
Européia, o Canadá, a Austrália, o Japão, a China, a Coréia e Israel
aprovaram pesquisas com células embrionárias de embriões há pouco tempo.
Essa é também a posição das academias de ciência de 63 países,
inclusive o Brasil. É fundamental que a nossa legislação também aprove
estas pesquisas porque elas poderão salvar inúmeras vidas!
Bibliografia
HOCHEDLINGER, K. e JAENISH, R. "Nuclear Transplantation, Embryonic Stem Cells and the Potential for Cell Therapy". N. Engl. Journal of Medicine, 349:275-212, 2003.
MITALIPOVA, M.; CALHOUN, J.; SHIN, S.; WININGER, D. et al. "Human Embryonic Stem Cells Lines Derived from Discarded Embryos". Stem Cells, 21:521-526, 2003.
RHIND, S. M.; TAYLOR, J. E.; DE SOUSA, P. A.; KiNg, T. U. I.; MCGARRY, M. e WILMUT, I. "Human Cloning: Can it be Made Safe?" Nature Reviews, 4:855-864, 2003.
HWANG, S. W.; RYU, Y. J.; PARK, J. H.; PARK, E. S.; LEE, E. G.; KOO, J. M. et al. "Evidence of a Plurpotent Embryonic Stem Cell Line Derived from a Cloned Blastocyst". Scienceexpress, 12 fev. 2004.
Texto recebido e aceito para publicação em 23 de junho de 2004.
Mayana Zatz
é professora-titular de Genética Humana e Médica do Departamento de
Biologia do Instituto de Biociências (IB) da USP, coordenadora do Centro
de Estudos do Genoma Humano do IB-USP, presidente da Associação
Brasileira de Distrofia Muscular e membro da Academia Brasileira de
Ciências.
Conferência feita pela autora no Instituto de Estudos Avançados da USP no dia 19 de maio de 2004. Parte deste texto foi publicado em: Zatz, Mayana. "Clonagem e células-tronco". Cienc. Cult., jun. 2004, vol. 56, nº 3, pp. 23-27, ISSN 0009-6725.
Conferência feita pela autora no Instituto de Estudos Avançados da USP no dia 19 de maio de 2004. Parte deste texto foi publicado em: Zatz, Mayana. "Clonagem e células-tronco". Cienc. Cult., jun. 2004, vol. 56, nº 3, pp. 23-27, ISSN 0009-6725.
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